Revista Encontro
JOVEM PARTIDO

Luis Tibé (PTdoB), o mais jovem presidente de partido do Brasil, diz quais as pretensões da legenda para as próximas eleições
Ele já disputou as eleições para governador em Minas 2006. Sua candidatura, admite agora, foi uma forma de promover o partido e ajudar na eleição de parlamentares. Com 37 anos, Luis Tibé, apelido de família e nome político, é Luis Henrique de Oliveira Resende, o mais jovem presidente nacional de um partido, que ele dirige de Belo Horizonte, e que tem planos ousados para o seu PTdoB, legenda que ajudou a consolidar e a qual é filiado há mais de uma década.
O partido ainda não escolheu com quem se alinhar em outubro, na disputa em Belo Horizonte, mas para a Câmara Municipal vai de chapa própria. A estratégia é eleger o maior número possível de vereadores em todo o Brasil, mil talvez, além de algumas dezenas de prefeitos. Em Minas, serão 22 na disputa pelo partido. Com a boa base municipal, se preparar para 2010, com o objetivo de formar uma boa representação parlamentar.


ENCONTRO:
O “do B”, nas siglas partidárias, normalmente indicam uma dissidência. O PTdoB é uma dissidência d e qual partido?

LUIS TIBÉ:
Nosso partido é o resultado de uma dissidência do PTB.Não uma dissidência ideológico, pois também somos trabalhistas, mas originada em divergência em relação a condução de processo eleitoral. Foram divergências por espaço dentro do partido.

ENCONTRO:
Se é que esta rotulação ainda tem sentido, o PTdoB se define como um partido de centro, de esquerda ou de direita?

LUIS TIBÉ:
Nós nos consideramos um partido de centro. O nosso deputado federal está na base de apoio do presidente Lula. Em Minas temos uma parceria boa com o governo do estado, com o governador Aécio Neves.

ENCONTRO:
Como vocês vão se posicionar na disputa em Belo Horizonte?

LUIS TIBÉ:
Hoje a gente tem um grupo de pequenos partidos, de nosso porte, que tem se reunido e das discussões saiu a decisão de seguirmos juntos. Não escolhemos ainda quem iremos apoiar. O fato é que estaremos apoiando uma candidatura a prefeito e, juntos temos a perspectiva de elegermos doze vereadores. O PTdoB já definiu que para a disputa das vagas na Câmara Municipal, não faz coligações. Disputa com chapa própria com a certeza de que conseguirá eleger dois vereadores e possivelmente um terceiro.Seremos o partido que elegerá vereadores com o menor número de votos. A nossa chapa é bastante homogenia e nela todos têm chances de se eleger.

ENCONTRO:
No país, quantos vereadores o PTdoB calcula eleger?

LUIS TIBÉ:
Atualmente temos 350 vereadores eleitos, mas estamos trabalhando para, em outubro, passar dos mil. Desde que assumiu a direção nacional do partido, iniciamos um trabalho para ampliar o número de vereadores e prefeitos. Na verdade, queremos preparar o partido para as eleições de 2010. Hoje temos apenas um deputado federal e por isso sentimos a falta de espaço político. Nosso objetivo é de, em 2010 elegermos no mínimo cinco parlamentares federais, até para termos maior tempo de televisão para divulgamos nossas propostas. E isto passa por 2008.

ENCONTRO:
Sua previsão é de que o PTdoB elegerá vereadores com menor número de votos. Quanto é pouco voto?

LUIS TIBÉ:
Eu acredito que o partido vai eleger vereador com 3,5 a quatro mil votos. Na nossa chapa, o mais votado teve 2.491 votos nas últimas eleições.

ENCONTRO:
O partido conseguiu atender a proporcionalidade de mulheres na chapa, dentro do que determina a lei?

LUIS TIBÉ:
Este foi um trabalho árduo. Foi uma luta danada, com todos os partidos procurando mulheres para completar a chapa. Nós, felizmente, conseguimos.

ENCONTRO:
Você, que é uma pessoa nova, de uma geração pós-revolução, tem uma explicação para o desinteresse do jovem, e também das mulheres de um modo geral pela política?

LUIS TIBÉ:
A classe política teve um desgaste muito grande por causa da corrupção. Quando a gente vai falar sobre política com a população tem que fazer um grande para recuperar a credibilidade dos políticos, mostrando aos jovens que é fundamental ter um projeto político. É a maneira que a gente tem de modificar a atual realidade. Por isso é que estamos preparando bem, nossos candidatos, para que eles possam ser eleitos, sabendo de sua tarefa para bem representar. Bem preparados, eles estarão em condições de serem escolhidos pelos eleitores. Temos uma pesquisa que mostra que 82% do eleitorado ainda não escolheu seu candidato a vereador. Assim, temos que ir para a rua e apresentar nossas propostas, ajudando a população escolher e escolher bem.
É conscientizando os jovens que vamos despertar neles o interesse pela vida política. Já as mulheres é mais uma questão de tradição. Elas se envolvem pouco com a política mas, se formos olhar bem, quando elas exercem atividades políticas, desenvolvem ótimos trabalhos e raramente estão envolvidas com corrupção.

ENCONTRO:
Quando você fala que está preparando o candidato, o partido está oferecendo a ele um discurso, ou mostrando-lhe qual é, na realidade, o papel institucional do vereador?

LUIS TIBÉ:
Não, estamos mostrando o papel institucional, quais são as verdadeiras tarefas do vereador que hoje ocupa um espaço que é do Executivo, e faz ação social. Esta não é uma tarefa do vereador, embora a gente reconheça que a população está carente deste atendimento, que precisa se preocupar com sua missão de legislar e fiscalizar o Executivo. Queremos resgatar o papel da Câmara Municipal que não pode continuar desempenhando tarefas que são do Executivo.

ENCONTRO:
Você já disputou uma eleição para governador. Este é o seu objetivo?

LUIS TIBÉ:
Não, minha pretensão é o Legislativo. Eu disputei as eleições passadas para colocar o partido em evidência, especialmente seus candidatos a deputados. Queremos ser, primeiro, fortes no poder legislativo. A conquista do poder Executivo é conseqüência disto.

Reportagem Flavio Pena
                                                                                         
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